IA diferencia COVID-19 de outras doenças respiratórias a partir de raios-X do pulmão

A empresa Zegami, fundada em 2016 na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e especializada em visualização de dados, apresentou há poucas semanas o resultado de seus esforços em inteligência artificial para combater o novo coronavírus. Eles desenvolveram um modelo capaz de diagnosticar pacientes suspeitos de infecção com base em exames de raio-X do peito.

O modelo da Zegami foi treinado usando imagens disponíveis publicamente através de uma iniciativa hospedada no GitHub. Essa iniciativa foi criada por Joseph Paul Cohen, um estudante de pós-doutorado da Universidade de Montreal, no Canadá, que está construindo a maior biblioteca mundial de imagens de raio-X e tomografia computadorizada de pulmões infectados pelo novo coronavírus. Sua intenção é disponibilizar os dados para pesquisadores interessados em desenvolver métodos baseados em inteligência artificial no combate à doença.

Por enquanto, como as imagens utilizadas no treinamento não tinham anotações sobre o desenvolvimento da doença nos pacientes, o modelo da Zegami só é capaz de discernir entre a COVID-19 e outras doenças respiratórias, mas isso já é importante para direcionar pacientes em início de atendimento para que eventualmente façam exames mais específicos. Os pesquisadores comentam que seu modelo ainda deve passar por melhorias, mas para isso eles precisam de mais imagens, de uma natureza mais diversa. Comparando, por exemplo, imagens de um paciente com as de outros em condições similares, e conhecendo o histórico desses outros pacientes, será possível predizer o estado futuro com base na imagem inicial, e assim determinar a forma de tratamento mais adequada. Com essa intenção, a equipe da Zegami solicitou ao Serviço Nacional de Saúde (NHS, National Health Service), que é o órgão de saúde público do Reino Unido, para ceder imagens às quais eles tivessem acesso. Com quantidade de dados suficiente, eles dizem poder disponibilizar em poucas semanas um sistema adequado para, em primeiro lugar, estudar a doença, e em segundo, ser aplicado em ambiente clínico.

Soluções para o combate à COVID-19 baseadas em inteligência artificial têm sido apresentadas em ritmo contínuo, o que reforça a importância dessa tecnologia emergente para enfrentar os problemas do mundo contemporâneo.