IA no diagnóstico e prevenção de doenças oculares

Uma das principais causas de perda de visão é a degeneração macular relacionada à idade (AMD, age-related macular degeneration), uma doença que afeta a área central da retina, chamada mácula, cujo sintoma inicial é a visão desfocada, podendo chegar à cegueira. O diagnóstico comumente é feito pela análise de fotografias da retina por médicos oftalmologistas.

Um trabalho pioneiro realizado por pesquisadores da Enfermaria do Olho e do Ouvido de Nova York (NYEE, New York Eye and Ear Infirmary) do Hospital Mount Sinai, apresentado em abril, desenvolveu um algoritmo capaz de diagnosticar a doença com base nas fotografias, e predizer se o paciente teria complicações futuras. Os modelos foram treinados com dados de um consórcio chamado Age Related Eye Disease Study, que acumula 15 anos de informações relacionadas à AMD. Na primeira parte do estudo, as fotografias da retina de pacientes entre 55 e 80 anos foram separadas em grupos indicando estado saudável ou AMD inicial, intermediária, avançada ou grave. Mais de 100 mil fotografias, de mais de 4 mil pacientes, foram usadas para treinar o algoritmo de classificação de severidade da doença, retornando uma escala de 12 pontos. Levando em consideração que os rótulos do banco de dados foram dados por médicos especialistas, o modelo atingiu precisão de 99%, quase se equiparando aos profissionais. Em seguida, os resultados da escala foram combinados com dados clínicos e sociodemográficos, como idade, sexo e histórico médico, para predizer a progressão da doença até o estágio grave no período de um ou dois anos. Cerca de 4 mil pacientes foram incluídos nessa segunda parte do estudo. O modelo obteve desempenho superior a 84%, sendo até capaz de discernir entre dois subtipos de AMD grave.

Os pesquisadores imaginam que o algoritmo tenha aplicação quase imediata na área de medicina à distância. Seria possível, por exemplo, instalar quiosques dotados de câmeras simples onde o paciente poderia obter rapidamente informações sobre seu estado atual, que poderiam então guiá-lo para atendimento especializado, se for o caso. Essa pode ser uma forma rápida, barata e prática de receber atendimento inicial, e traria um grande benefício à população de risco, já que a intervenção precoce é crítica no tratamento da doença. Além de servir diretamente ao público interessado, a inteligência artificial pode ajudar médicos no aconselhamento de seus pacientes, servindo como ferramenta diagnóstica auxiliar.

A NYEE já está testando o sistema nas suas clínicas, e reporta que os resultados têm sido positivos. Eles esperam que em breve a tecnologia esteja amplamente disponível.