IA aplicada no tratamento da diabetes

A insulina é uma proteína responsável por promover a entrada de glicose nas células. Em pessoas com diabetes, a produção de insulina é comprometida, de forma que os níveis de glicose sanguínea podem aumentar significativamente, causando vários problemas de saúde. No caso da diabetes tipo 1, cerca de 40% dos acometidos administram seus níveis de glicose com múltiplas injeções diárias de insulina, modificada para ter ação curta ou longa. Apesar de o monitoramento dos níveis de glicose sanguínea em tempo real já ser rotineiro, decidir pela dose correta de administração de cada tipo de insulina não é tão simples. Erros de dose também podem causar complicações como retinopatia, neuropatia e nefropatia.

Com vistas a melhorar a auto-administração do medicamento, possibilitando decisões instantâneas às pessoas diabéticas, cientistas da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de inteligência artificial que usa os dados de monitoramento constante de glicose no sangue para sugerir a dose correta de aplicação de insulina. No trabalho, publicado em junho, os autores simularam 50 mil observações de glicose, usando um software desenvolvido no ano passado, para treinar um modelo baseado em KNN na identificação das causas de hipo ou hiperglicemia, e assim determinar os ajustes necessários de insulina a partir de 12 recomendações potenciais. Quando validado com dados reais, o algoritmo gerou recomendações compatíveis com aquelas de um médico endocrinologista em 67,9% dos casos, e mesmo nas decisões divergentes, as dosagens recomendadas pelo sistema num intervalo de até 100 semanas foram consideradas seguras pelos médicos. Na avaliação virtual de seu impacto no tratamento de pessoas diabéticas, a ferramenta demonstrou melhoria significativa nos níveis glicêmicos após 12 semanas de uso.

Os pesquisadores consideram o algoritmo vitorioso já que, apesar de ter usado dados gerados através de um modelo, os resultados foram eventualmente validados com informações reais. Eles agora pretendem avaliar seu desempenho em testes maiores, comparando com outras estratégias de tratamento, para fortalecer a ideia de sua utilização prática.

Os autores dizem que esse é o primeiro algoritmo publicado que apresenta dados clínicos, o que o torna muito mais próximo de encontrar aplicações reais num futuro próximo. Levando em conta que um paciente diabético leva em média de 3 a 6 meses entre visitas consecutivas ao seu endocrinologista, a inteligência artificial pode oferecer o ajuste constante do seu tratamento, permitindo um controle muito mais fino dos níveis saudáveis de glicose sanguínea.