IA reduz mortalidade por COVID-19 em 50%

A principal causa de óbito de pessoas contaminadas com o novo coronavírus é a parada respiratória, entretanto, com o tratamento adequado em tempo hábil, muitos acometidos pela doença podem ser curados. Em uma pesquisa apresentada no início de julho, cientistas associados ao EIT Health, uma comunidade do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT, European Institute of Innovation and Technology), empregaram inteligência artificial na tarefa de classificar os pacientes por seu quadro sintomático, conseguindo encaminhá-los para o tratamento mais promissor em cada caso, e assim reduzir os níveis de mortalidade em 50%.

O trabalho é parte do projeto chamado Centro de Controle Digital para a COVID-19 (Digital Control Center for COVID-19), que é parte da resposta que a União Europeia está organizando no combate à pandemia. Desenvolvido no Hospital Clínico de Barcelona, o algoritmo foi treinado com dados de exames clínicos de 786 pacientes, que foram acompanhados durante sua permanência no hospital. A ferramenta conseguiu identificar, com métrica AUC de 0.907, três padrões de estratificação com base no grau de inflamação, coinfecção e trombose, que refletem diferentes complicações sintomáticas. Estes sintomas demandam tratamentos específicos, de forma que conhecer o estado de cada paciente com a maior brevidade possível é necessário para conduzi-los a abordagens terapêuticas personalizadas, com maior chance de sucesso. Além do impacto reportado na mortalidade, a ferramenta também atingiu 90% de precisão na trajetória da doença em pacientes individuais, o que aumenta sua eficácia individual, e não apenas quando considerando um grupo de risco. Com isto, 94% dos pacientes tiveram melhora de condições após 5 dias de internamento, contra 60% do grupo em tratamento generalista.

Apesar de ter sido desenvolvida com foco no novo coronavírus por causa da pandemia, esta ferramenta tem potencial para aplicação em outras situações de risco à saúde, servindo de exemplo prático dos benefícios que a inteligência artificial pode trazer à medicina. Atualmente, a ferramenta já está em uso no hospital, oferecendo um centro de controle em tempo real para todos os pacientes de COVID-19 admitidos. Nos próximos meses, ela será validada e expandida para outros hospitais da rede da EIT Health na Espanha, na Holanda e na Bélgica.