IA revela novas informações sobre os Escritos do Mar Morto

Desde que foram descobertos há 70 anos em uma caverna na região da Cisjordânia, os Escritos do Mar Morto são estudados por historiadores e cientistas, que tentam desvendar suas origens e sua importância. Esses documentos contêm manuscritos escritos em hebreu, aramaico e grego, tendo sido redigidos por volta do século III a.C., e representam os textos mais antigos que fazem parte da Bíblia hebraica, ou seja, o Antigo Testamento da Bíblia cristã.

Uma das linhas de investigação sobre estes Escritos busca esclarecer como foi seu processo de redação. Como parte desses esforços, pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda, realizaram estudos de paleografia, o estudo de escritos antigos, no texto mais longo desta coleção, o chamado Escrito do Grande Isaías. A paleografia compara a escrita através do documento para determinar, por exemplo, quantos autores estiveram envolvidos na tarefa de redação. Mas existem alguns complicadores neste caso. Primeiro, há certo grau de uniformidade ao longo do documento, fazendo sugerir um único redator. Segundo, o tamanho do documento torna difícil analisar todas as variações de escrita possíveis. Foi por isso que, ao invés de depender dos métodos tradicionais, os pesquisadores utilizaram inteligência artificial para ajudar a chegar a uma conclusão inédita.

A primeira etapa do processo envolveu treinar um algoritmo para separar o texto de seu fundo, ou seja, o papiro onde foi escrito, de forma que as digitalizações fossem reproduções perfeitas e intactas dos traços de tinta. Isto é importante porque esta “assinatura” está diretamente relacionada aos movimentos musculares da pessoa que faz a inscrição. Então, um segundo algoritmo analisou os textos em função de suas características visuais, como a curvatura dos caracteres, gerando uma impressão digital útil para identificar o redator. Estas informações, presentes originalmente em 54 colunas de texto, puderam ser agrupadas em dois grupos distintos, um concentrado na primeira metade do documento, e outro na segunda metade. Isto é uma evidência de que o documento foi confeccionado por dois escribas, que segundo os pesquisadores, devem ter trabalhado de forma cooperativa para tentar manter a uniformidade da caligrafia.

A principal conclusão do estudo é a indicação de que o documento foi redigido por duas pessoas com estilo de escrita muito similar, o que sugere que sejam da mesma origem ou tenham recebido o mesmo treinamento. Isto, por sua vez, traz luz sobre como as civilizações antigas organizavam os trabalhos de confecção dos seus documentos mais importantes.

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