IA é capaz de prever (e gerar) fotografias de pessoas que consideramos atraentes

O Dia dos Namorados é uma data para celebrar junto com a pessoa com quem temos um relacionamento, mas para os cientistas, ela também serve como inspiração para pesquisa. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Helsinki, na Finlândia, por exemplo, esteve interessada em descobrir as características faciais que fazem com que uma pessoa seja considerada atraente. No seu trabalho publicado em fevereiro, eles usaram inteligência artificial para não só prever a atração, mas também para gerar novos rostos capazes de atender a este critério.

A pesquisa com características desta natureza tem um certo nível de dificuldade. Por mais que alguns atributos como simetria sejam universalmente considerados atraentes, há uma grande carga de subjetividade conferida tanto por aspectos culturais quanto pessoais. Em resumo, nem sempre o que é atraente para um será atraente para outro. Além disso, muitas vezes é difícil descrever quais são os aspectos que nos levam a considerar uma pessoa atraente; é mais provável que este seja um caso onde o todo é maior do que a soma das partes, e os atributos interajam de forma complexa para gerar nossa experiência subjetiva de atração.

Dada toda esta natureza subjetiva, os pesquisadores finlandeses decidiram capturar os sinais de avaliação diretamente do cérebro. Para isso, 30 voluntários foram conectados a um eletroencefalograma, que mede a atividade elétrica em várias regiões do cérebro a partir de eletrodos posicionados na cabeça. Os participantes foram então apresentados a uma série de fotografias de celebridades, devendo verbalizar em que grau as consideravam atraentes. Os sinais elétricos deste tipo de análise são muito ruidosos para demonstrar quanto uma característica particular é atraente, mas os pesquisadores partiram do princípio de que o conjunto das medições teria uma relação com o resultado da avaliação subjetiva dos participantes.

Mas os cientistas foram ainda mais inovadores. Eles usaram os sinais elétricos para construir o módulo discriminador de uma rede neural generativa. Esta estrutura de rede é capaz de gerar novos dados (imagens de rostos, no caso) em seu módulo gerador, as quais são então avaliadas pelo módulo discriminador para que a geração se torne cada vez mais alinhada com a categoria que se pretende discriminar. Como resultado, o sistema foi capaz de gerar rostos personalizados que foram considerados atraentes pelos participantes com uma precisão média de 83%.

É interessante observar que a inteligência artificial foi capaz de modelar as relações complexas dos dados para produzir conteúdo de característica tão subjetiva que nem nós mesmos somos capazes de explicar. Do ponto de vista científico, esta é a maior contribuição do trabalho, mas não se pode negar o apelo popular que este sistema apresenta. No ano passado, por exemplo, o governo japonês começou a financiar pesquisa em inteligência artificial para ajudar casais a se encontrarem, com o objetivo de estimular um aumento na taxa de natalidade já que o país é um dos mais afetados pelo envelhecimento de sua população.

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