IA ajuda pacientes com baixa visão a identificar medicamentos para glaucoma

O glaucoma é um termo genérico para um conjunto de doenças oculares que provocam danos ao nervo óptico e podem acarretar em perda de visão, sendo hoje a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A doença é facilmente diagnosticável e existem vários tratamentos disponíveis na forma de medicamentos, mas ironicamente, os fabricantes destes medicamentos não se preocuparam em desenvolver embalagens com características distintas que facilitasse a identificação por quem já está com a visão prejudicada. Isto é um problema particularmente grave para pessoas com glaucoma, que têm sensibilidade ao contraste e visão de cores reduzida. Por isso, mesmo um diagnóstico correto e uma indicação de tratamento adequada podem ser desperdiçados quando o paciente não consegue fazer uso da medicação correta.

Levando isto em consideração, um grupo de médicos pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, trabalhou no desenvolvimento e validação de uma inteligência artificial capaz de ajudar os pacientes, identificando o medicamento a partir de fotografias das embalagens. O dataset foi construído com 3750 fotos obtidas por smartphones, de 5 medicamentos oftalmológicos comumente usados no tratamento do glaucoma. Os pesquisadores testaram 7 redes neurais convolucionais pré-treinadas, prontamente disponíveis, na fase de extração de características das imagens, e depois treinaram um módulo classificador para identificar o medicamento em questão. Como o objetivo do estudo era desenvolver uma ferramenta útil para os pacientes, que não só tivesse alta acurácia mas também fosse portável, os dois modelos com melhor desempenho foram embutidos em um aplicativo de smartphone, para avaliar 1500 imagens inéditas em um cenário mais próximo de sua potencial aplicação.

Tanto o modelo baseado na estrutura MobileNet v2 quanto aquele baseado na ResNetV2 eram pequenos o suficiente para rodar em um dispositivo móvel, e apresentaram um tempo de processamento similar, na faixa de 3,5 segundo por imagem, o que valida o uso dos algoritmos na forma de um aplicativo para smartphone. O primeiro modelo teve a melhor acurácia, de 86%, tornando-o a solução mais adequada para a tarefa de auxiliar pacientes a identificar o medicamento usando seus próprios celulares.

Os cientistas consideram que este trabalho server como prova de conceito para o desenvolvimento de aplicativos dotados com inteligência artificial que servem para empoderar os pacientes, mantendo sua independência e reduzindo o risco de erros na administração de medicamentos, o que neste caso tem o potencial de piorar ainda mais o quadro que provoca sua dificuldade inicial.

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