IA aplicada ao diagnóstico de câncer de cólon

Tumores de cólon costumam se apresentar em duas formas: micro-satélites estáveis (MSS, microsatellite stable) e instáveis (MSI, microsatellite instable). Estes micro-satélites são regiões curtas do DNA das células, que ocorrem de forma repetida. Quando presentes na forma MSI, estas regiões ocasionam uma taxa de mutação 1000 vezes maior em células de tumor, o que limita seu desenvolvimento, e assim os pacientes têm uma taxa de sobrevivência consideravelmente maior. Além disso, novas técnicas de imunoterapia costumam ser mais eficientes nos pacientes com tipo MSI. Esses fatores tornam imprescindível discernir entre as duas formas durante o diagnóstico. A diferenciação costuma ser feita através da marcação imuno-histoquímica das amostras de tecido, que é confirmada por análise genética, demorando cerca de um dia.

Pesquisadores da Universidade Ruhr-Bochum, na Alemanha, apresentaram em junho seu trabalho detalhando um novo método diagnóstico de câncer do cólon, que não depende da marcação química das amostras, e que graças ao uso de inteligência artificial, é realizado de forma automatizada. O método usa uma proposta analítica recente, o imageamento por infravermelho, para a classificação de tecidos. Com base nas imagens captadas pela técnica, que são representadas como espectros no infravermelho, os pesquisadores usaram um classificador do tipo random forest para determinar a tipologia do câncer. Amostras de 100 pacientes foram usadas no estudo. O modelo desenvolvido atingiu sensibilidade de 100% (ou seja, sem ocorrência de falsos negativos) e especificidade de 93% (alguns poucos falsos positivos). O tempo de análise foi de 30 minutos.

Além do tempo menor e da alta eficiência, outra vantagem do método sobre a técnica tradicional é que a quantidade de material para realizar o exame é muito menor, o que deixa disponível o material de uma biopsia para outras análises. Os pesquisadores estão agora programando um estudo clínico maior para validar a técnica.

Mesmo sendo considerado preliminar, o trabalho comprova que o exame por infravermelho pode ser utilizado em conjunto com inteligência artificial para entregar resultados rápidos, precisos e automatizados no diagnóstico do câncer de cólon. Certamente outros métodos diagnósticos devem se beneficiar de investigações similares.