Instituto Butantan trabalha em IA para diagnóstico de COVID-19 pela tosse

O Instituto Butantan nunca esteve tão popular, seja pela produção da vacina contra o novo coronavírus com insumos importados, seja pelo recente anúncio do desenvolvimento de sua vacina própria. Mas o instituto não é só responsável pela produção de vacinas e soros, sendo também um centro de pesquisas de ponta. No que se refere à pandemia causada pelo coronavírus, várias frentes de pesquisa têm sido lançadas por eles. Uma delas é uma parceria com a Fundação Fiocruz, que desde metade do ano passado está trabalhando em uma inteligência artificial capaz de detectar a COVID-19 e outras morbidades respiratórias através da tosse. O objetivo é utilizar a ferramenta no auxílio do diagnóstico dessas doenças.

Esta linha de pesquisa parte do conhecimento prévio de que as doenças respiratórias causam tosse de características particulares. A análise sonora da tosse com a tecnologia adequada pode permitir a classificação da doença correspondente. O trabalho no Brasil espelha dois aplicativos em fases de teste pelas Universidades de Cambridge (Reino Unido) e Carnegie Mellon (Estados Unidos).

A primeira parte do trabalho, planejada para encerrar neste mês de março, consistiu na obtenção de dados para treinamento do algoritmo. O objetivo era colher pelo menos 900 amostras de sons de voluntários, segmentados em indivíduos saudáveis, aqueles com diagnóstico confirmado de COVID-19, e ainda os diagnosticados com outras doenças pulmonares. Os voluntários deveriam registrar o áudio de sua tosse pelo celular, enviando através de um portal online, junto com alguns dados clínicos e de saúde, para ajudar ainda a montar um perfil epidemiológico da doença. A infraestrutura e as ferramentas de IA foram disponibilizadas pela Intel.

O sistema finalizado deve auxiliar pessoas que suspeitem estarem contaminadas a decidir o próximo passo, e o que é mais relevante neste caso, à distância. A IA vai informar qual a probabilidade de infecção com alguma doença em seu banco de dados, e sugerir, por exemplo, pelo isolamento social até que um diagnóstico definitivo possa ser produzido, ou pela busca de auxílio médico imediato. Espera-se que o algoritmo alcance sensibilidade na faixa de 90%.