IA do DeepMind desenvolve senso comum ao incorporar aspectos da psicologia de bebês

Os pesquisadores da área de inteligência artificial ainda penam para criar um modelo capaz de desenvolver senso comum. Este é o conhecimento que nós humanos absorvemos sobre o mundo apenas observando como o meio que nos cerca interage entre si. É através deste conhecimento intuitivo que, ainda crianças, aprendemos que um objeto largado de certa altura vai cair até o chão, ou até uma superfície neste trajeto, sem atravessá-la. Os psicólogos vêm há décadas debatendo se a capacidade de desenvolver senso comum é algo que emerge exclusivamente de nossa experiência com o mundo, ou se já há um “conhecimento” inato que faz parte de nossa herança genética a partir do qual a experiência serve como refinamento.

Baseado neste debate, pesquisadores do grupo DeepMind, da Alphabet, desenvolveram uma inteligência artificial chamado de PLATO (Physics Learning through Auto-encoding and Tracking Objects, ou aprendizado de física através do auto-encoding e do acompanhamento de objetos, em tradução livre). A ideia foi habilitar o modelo a aprender física integrando alguns conhecimentos inerentes que os psicólogos do desenvolvimento acreditam que os bebês já nascem portando. Cinco conceitos básicos fizeram parte deste conhecimento a priori: a continuidade de objetos (eles continuam existindo mesmo quando não estão à vista), sua solidez (dois objetos não podem se interpor), sua continuidade no tempo, a continuidade de suas características, e a inércia direcional quando em movimento. O modelo foi então treinado com cerca de 300 mil vídeos para aprender a criar um “modelo mental” do mundo. Depois, ele foi avaliado julgando se outras cenas eram fisicamente possíveis ou não. Quando comparado a modelos treinados na mesma tarefa mas sem os princípios físicos incorporados, ele performou significatimente melhor. O mais curioso é que, assim como uma criança, o modelo mostrou “surpresa” frente a eventos impossíveis.

O trabalho, publicado este mês, representa a primeira tentativa de replicar em um ambiente virtual algo baseado tão de perto nas teorias vigentes da psicologia cognitiva e da ciência do desenvolvimento. Seus resultados servem como evidência na direção de confirmar a teoria, ou seja, parece mais provável que a base de nosso senso comum é inata.

Por enquanto, os pesquisadores esperam usam a ferramenta mais para testar hipóteses da área da psicologia, mas ela também podem representar um primeiro passo na criação de modelos com a habilidade de aprender por conta própria como o mundo funciona.

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