IA identifica vocalizações que roedores usam para se comunicar

Apesar de não ter a mesma complexidade da fala humana, os animais costumam usar vocalizações para se comunicar entre si. Muitos dos sons que eles emitem são inclusive fora da faixa de audição humana. Com o equipamento correto, é possível identificar esses sons, mas em um trabalho de pesquisa, seja em laboratório, seja no ambiente selvagem, anotar sons característicos que ocorrem ao longo do tempo tradicionalmente exige um especialista ouvindo horas de gravações.

Uma equipe da Universidade de Washington desenvolveu uma inteligência artificial capaz de realizar este processo de forma automática. Chamado de DeepSqueak, o sistema foi publicado há 3 anos mas recebeu sua terceira versão mês passado. Ele conta com uma arquitetura de rede neural chamada de convolução regional, que processa sequências contíguas de sinal sonoro na busca de padrões conhecidos pelo sistema. O foco do trabalho tem sido com roedores.

No trabalho original, os autores compararam o DeepSqueak com outros métodos automáticos e com a análise manual, encontrando redução na taxa de falsos positivos, aumento no recall de detecção, redução dramática no tempo de análise, além da possibilidade de otimizar a classificação automática de sílabas e realizar análise sintática automática em vocabulários extensos. Entretanto, eles são cautelosos afirmando que o método funciona melhor para algumas vocalizações que outras, o que mantém os especialistas como peça fundamental de pesquisas mais complexas.

O sistema pode ser facilmente adicionado a um procedimento atual de pesquisa, tendo o potencial de revelar novos insights sobre o comportamento dos animais. Os pesquisadores agora almejam fundir seu método com outras tecnologias de inteligência artificial que analisam vídeos, já que boa parte da comunicação animal vem da expressão corporal, o que pode se mostrar revolucionário na compreensão de sua vida social.

A análise de vocalizações tem ganhado tração graças ao amadurecimento da inteligência artificial. Pesquisadores do Instituto Oceanográfico Woods Hole, em Massachusetts nos Estados Unidos, estão tentando aplicar o mesmo conceito para estudar corais. Como o som se propaga muito bem na água, um único sensor seria capaz de cobrir toda uma região de coral, por exemplo, permitindo identificar quais espécies estão presentes, incluindo espécies novas.

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