USP e Hospital Albert Einstein apresentam IA que detecta novo coronavírus sem exames específicos

São vários os órgãos de pesquisa ao redor do mundo que estão apresentando soluções baseadas em inteligência artificial para ajudar a combater os impactos da pandemia causada pelo novo coronavírus. O Brasil também faz parte desse esforço. No início do mês, pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, aliados a pesquisadores do Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde da Universidade de São Paulo, anunciaram a criação de um algoritmo capaz de detectar a presença do novo coronavírus em pacientes sem a necessidade de exames específicos à doença. Eles garantem que, até então, a iniciativa era inédita.

O algoritmo foi treinado com vários dados demográficos e clínicos de 235 pacientes admitidos no mês de março. Ao todo, 15 variáveis são consideradas pelo modelo, como a idade e o sexo da pessoa suspeita de contaminação, a dosagem de hemoglobina e plaquetas, e a contagem de glóbulos vermelhos e células do sistema imunológico, como eosinófilos, linfócitos e leucócitos. O sistema atingiu precisão de 77%, que é considerada alta pelos pesquisadores, dada a facilidade de coleta das informações que alimentam o algoritmo. Outra vantagem é que, em modo de predição, o sistema não exige hardware sofisticado, podendo ser amplamente utilizado na rede de atendimento de saúde.

Os responsáveis pelo sistema estão abrindo as portas para que outras instituições interessadas em colaborar com o projeto possam fornecer dados para validar a abordagem. Por enquanto, eles estão se preparando para processar dados coletados por outros dois hospitais em São Paulo administrados pelo Albert Einstein. A intenção é tornar o algoritmo disponível para uso clínico durante o período da pandemia. A distribuição deve ficar a cargo do Ministério da Saúde, que foi responsável por parte do financiamento do projeto.

Os pesquisadores também já têm outros objetivos em mente. Eles pretendem usar algoritmos de inteligência artificial para prever a necessidade de internação dos pacientes, e também do uso de respiradores artificial. Essas tecnologias devem ser aliadas importantes na administração dos cuidados às pessoas infectadas, amenizando a pressão que o pico da pandemia deve gerar sobre o sistema de saúde.