Brasil inaugura seu maior centro de pesquisa em IA

No último dia 14, foi inaugurada em São Paulo a maior instituição de pesquisa brasileira focada em inteligência artificial. O centro, batizado de C4AI, é uma parceria entre a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a USP (Universidade de São Paulo) e a IBM, que colabora através da IBM’s AI Horizons Network (AIHN), uma rede de centros de pesquisa criada em 2016 para facilitar a colaboração na pesquisa e aplicação de IA entre universidades ao redor do mundo. Além do núcleo central no espaço InovaUSP (cuja foto ilustra esta publicação), localizado no campus Butantã de São Paulo da universidade, um centro secundário também estará presente no campus de São Carlos. Estão projetados investimentos de 20 milhões de dólares ao longo dos próximos 10 anos, e mais de 70 profissionais devem ser empregados.

O centro terá como objetivo principal desenvolver tecnologias de inteligência artificial em áreas de interesse da sociedade brasileira, estruturadas na forma de cinco projetos: NLP2: estado-da-arte no processamento de linguagem natural em português; KEML: machine learning enriquecido por conhecimento no estudo de oceanos; AgriBio: algoritmos aplicados à rede de produção de alimentos; GOML: métodos de grafo para diagnóstico e reabilitação de AVC; e AI Humanity: desenvolvimento de políticas públicas e discussão sobre o futuro do trabalho em países emergentes. O centro tem como missão declarada produzir e transferir as tecnologias relevantes para a sociedade, procurando formas de melhorar a qualidade de vida humana e incrementar diversidade e inclusão.

Além da pesquisa direta, o C4AI conta com uma equipe responsável por disseminar e educar sobre a inteligência artificial na sociedade, e outra que irá incentivar o uso de IA em empresas, buscando a remoção de barreiras e promoção de dados e códigos abertos. Três comitês de aconselhamento foram instaurados para auxiliar o centro a atingir as metas estabelecidas e promover uma cultura de excelência.

A inauguração do C4AI deve ajudar o Brasil a estruturar sua estratégia nacional para IA, que por sua vez é uma resposta a iniciativas similares lançadas por vários países. No momento em que a inteligência artificial começa a fazer parte cotidiana de nossas vidas, é importante discutir tópicos como o futuro do trabalho, a educação, a tributação, a pesquisa e desenvolvimento, e a ética relacionada à aplicação das tecnologias derivadas desse conceito disruptivo. O Brasil adere aos princípios estabelecidos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), que estabelece que a inteligência artificial deve ser focada no ser humano, incorporando conceitos de transparência e explicabilidade. Tais princípios guiam as discussões sobre estratégias de IA ao redor de seis áreas principais: a qualificação para o mundo digital, a mão-de-obra do futuro, a pesquisa, desenvolvimento, inovação e empreendedorismo, as aplicações governamentais, as aplicações nos setores produtivos e a segurança do público.