FIFA testa IA para aumentar a precisão das marcações de impedimento

As regras de um esporte como o futebol foram inventadas para que a partida seja conduzida de forma justa, aumentando as chances de que o time em melhores condições técnicas seja o vencedor. Conforme a tecnologia foi se fazendo presente nos ambientes esportivos, a precisão de obediência às regras também foi se tornando mais rigorosa. É o que acontece, por exemplo, com o impedimento. Se tradicionalmente um passe só era válido quando o jogador receptor estivesse atrás da linha da bola no momento do passe, agora é possível ser ainda mais preciso e permitir que, por exemplo, a perna que fez um gol a partir de um passe seja considerada válida ou impedida.

Nos grandes eventos esportivos, a FIFA já vem há algum tempo usando juízes auxiliares, que acompanham a partida de fora do gramado através de vídeos, tendo uma visão mais ampla e podendo retornar uma jogada para verificar sua validade. Se por um lado isto permite decisões mais justas, o método tem uma latência maior que a marcação em tempo real no gramado, e junto com a pressão por maior precisão nas decisões, a recomendação é deixar a partida seguir e marcar uma eventual infração somente no final da jogada. Isto, entretanto, acaba gerando frustração nos jogadores e nos torcedores, que se encontram obrigados a esperar a determinação dos árbitros para, por exemplo, celebrar um gol.

Buscando uma maior agilidade no processo, para assim manter a espontaneidade das reações à partida, a FIFA tem testado o uso de inteligência artificial na arbitragem auxiliar. O software empregado usa um detector de membros junto com algoritmos de machine learning para determinar em tempo real a posição do membros válidos no momento de um passe. O sistema foi testado de modo offline durante o Mundial de Clubes do Qatar em 2019. Apesar de não ter entrado em detalhes sobre a avaliação, a FIFA apresentou os resultados durante uma conferência em fevereiro do ano passado, dizendo ter interesse em introduzir a tecnologia na Copa do Mundo de 2022. Outra competição que deve se beneficiar do desenvolvimento é o próximo Mundial de Clubes, que foi reformulado e deve ser realizado na China, com data ainda a ser confirmada.

O cronograma de testes foi afetado pela pandemia do novo coronavírus, mas novos testes devem ser realizados neste meio tempo, incluindo outras tecnologias como sensores e reconhecimento de vídeo. Ainda assim, a FIFA garante que a decisão final sempre será do árbitro principal, que receberá as informações de um árbitro auxiliar ou de um sistema de notificações conectado a seu relógio, por exemplo.

Junto a este desenvolvimento, a FIFA também tem testado sistemas de arbitragem auxiliar mais baratos, de forma a popularizar a tecnologia, tornando-a acessível em eventos de menor expressão. Se tudo correr bem, o próximo passo é submeter os resultados ao Comitê de Futebol Internacional (IFAB), que é quem determina as regras do futebol.