IA possibilita diagnóstico de autismo através da retina

Já que se trata de uma condição relacionada às habilidades mentais, o diagnóstico do autismo geralmente depende da avaliação minuciosa de um especialista. Sendo uma condição que interfere com o desenvolvimento da criança, é essencial que o diagnóstico e tratamento sejam realizados o mais cedo possível. Entretanto, por não apresentar sinais claros e inequívocos, os pais costumam relutar aos primeiros sinais da síndrome, adiando a visita ao especialista até que o estado de seus filhos afetados já esteja avançado. Além disso, a consulta pode demorar até 80 semanas no sistema público de países como Hong Kong, tornando as primeiras intervenções ainda mais tardias.

Levando isso em consideração, pesquisadores da Universidade Chinesa de Hong Kong desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de diagnosticar o autismo com exames de imagem da retina. O estudo, publicado recentemente, se baseia em trabalhos anteriores que mostram uma associação entre algumas variáveis retinais e a desordem. Os cientistas recrutaram 46 participantes com autismo e 24 participantes normais, com idade média de 13 anos, tendo o mais jovem 6. Os participantes foram pareados em função da idade e do sexo, resultando em 23 pares. As imagens da retina foram obtidas por uma câmera de alta resolução. Algumas das variáveis investigadas incluem camadas de fibras e quantidade de vasos sanguíneos. A análise foi realizada por software automatizado baseado na nuvem, que foi integrado ao modelo de classificação, para que a própria análise produzisse as características mais relevantes ao diagnóstico. Ao final do processo, o modelo atingiu sensibilidade de 95,7% e especificidade de 91,3%.

O principal objetivo dos cientistas era disponibilizar um teste médico baseado em marcadores biológicos para servir de diagnóstico inicial, a ser incorporado nas análises de rotina de clínicas pediátricas, por exemplo. Essas evidências menos subjetivas devem encorajar os pais a procurarem especialistas e assim colocar as crianças sob atendimento adequado mais cedo.

Os pesquisadores têm a expectativa de desenvolver um produto comercial baseado neste trabalho ainda este ano.

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