Determinando a qualidade do café com IA

No dia 14 foi celebrado o Dia Mundial do Café, a terceira bebida mais apreciada no mundo, atrás apenas da água e do chá. Muito popular no Brasil, o café é um produto que tem migrado de seu status de consumo cotidiano para novas tendências relacionadas ao mundo gourmet, ganhando novos sabores, fragrâncias e indicações. Tanto que especialistas em café têm estado em ascensão, em um paralelo com os sommeliers que analisam diferentes variedades de vinho.

O processo de avaliação do café é bastante elaborado. Os degustadores devem pesar e moer os grãos torrados, anotando a fragrância do pó seco. A água é aquecida a 93oC e despejada sobre o preparo dentro de uma xícara, quando os especialistas novamente avaliam o pó úmido. Após 4 minutos, o líquido é coado e, depois de mais 15 minutos para que esfrie até temperatura adequada ao consumo, o degustador realiza a prova com uma colher. Além de todo o protocolo que garante a uniformidade da avaliação, o degustador deve ter conhecimento técnico e experiência para produzir um parecer de qualidade. A subjetividade dada por sua experiência sensorial é parte fundamental do processo.

Mas esta tarefa está prestes a ser assumida pela inteligência artificial. A empresa israelense Demetria desenvolveu um dispositivo manual que é capaz de determinar a qualidade do café com base apenas em parâmetros físico-químicos. A inteligência por trás do mecanismo consegue classificar os grãos antes mesmo de sua torra. O algoritmo estabelece um score com as mesmas características das avaliações feitas pelos especialistas, mas sem realizar a prova sensorial. Uma grande vantagem é que o score produzido pode ser interpretado como um consenso de especialistas, o que deve ajudar a resolver disputas quando, em avaliações humanas, há divergência entre as opiniões dos avaliadores. Um programa piloto acaba de ser finalizado em parceria com a Carcafé, uma divisão da empresa colombiana Volcafé, que é uma das maiores negociadoras de café no mundo.

O principal objetivo da Demetria no momento não é classificar cafés especiais, mas sim permitir que as empresas que negociam o grão tenham condições de avaliar rapidamente uma safra e assim determinar sua qualidade e seu preço justo. Estas informações, junto com a demanda por cada variedade, devem contribuir para suas decisões de compra. Além disso, os próprios produtores podem se beneficiar com um protocolo padronizado para analisar o produto antes de expedi-lo.

A Volcafé parece ter ficada satisfeita com a tecnologia, pois está em processo de disseminá-la entre suas operações.

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