Como simular emoções em agentes (parte I)?

Olá nobre entusiasta, se você está aqui é porque acredito que achasse a área de computação afetiva interessante ou consegui instigá-lo com o título do post. Caso tenhas vindo parar aqui de paraquedas, recomendo ler a minha primeira postagem onde tento esclarecer quais as principais características dessa incrível área (post). Agora, se você ficou interessado pelo título deste post e ainda não leu o post anterior a este, clique aqui para ter um melhor embasamento sobre os exemplos que irei citar.

Após as breves sugestões de leitura, vamos ao que interessa neste post, que é tentar fazer com que você perceba como agentes podem simular emoções. Como existem várias formas de fazer essa simulação, irei dividir o tópico em três posts. Primeiramente, vamos deixar claro um termo muito importante, o qual irei utilizar bastante neste texto, que é o termo agente. Quando menciono este termo lembre-se que ele pode ser tanto um agente virtual (ou seja, algo não palpável como uma imagem, gif, animação, entre outros) quanto um agente físico (ou seja, algo que podemos tocar ou pegar, como um robô, brinquedo, entre outros). Irei citar alguns estudos onde foram utilizados, em sua maioria, agentes físicos, mais precisamente, agentes robóticos. Contudo, tenha a mente aberta que em algumas situações é possível desenvolver um agente virtual com características e comportamentos parecidos com os que irei apresentar. Porém, também perceba que, alguns estudos já comprovaram que dependendo do objetivo a ser alcançado, os agentes físicos conseguem resultados melhores quando comparados com os virtuais. Acredito que isso acontece pelo simples fato do agente físico ser percebido como algo real, “algo que está ali”, na frente da pessoa. E, bem ou mal, acredito que isso influência nos fatores que se prentende analisar, como efeito persuasivo do agente, ou influência e até mudança no estado emocional que a interação com o agente pode ocasionar.

Mas, antes de mencionar pesquisas que conseguiram fazer com que os seus participantes percebessem o agente com alguma emoção, gostaria de deixar claro que, na minha humilde opinião, mesmo que os resultados utilizando agentes físicos sejam melhores comparados aos agentes virtuais, o uso deste último é muito válido. Por exemplo, a utilização de agentes virtuais deve ser quando não há recursos financeiros para ter uma versão física do agente (tendo em vista que uma imagem virtual é bem mais barata que comprar ou desenvolver um agente físico) e quando os objetivos da pesquisa podem ou devem ser alcançados com o uso de um agente virtual, como em casos de inserir um agente dentro de um jogo de video game. É claro que o uso ou não de agente virtual pode depender de muitos fatores, como dos objetivos e hipóteses a serem validados, os cenários a serem utilizados e preferência do pesquisador.

Vamos deixar de lero-lero e ver como alguns pesquisadores conseguiram fazer com que nós, seres humanos, consigamos acreditar que um objeto, que sabemos que não tem vida, tenha emoção ou alguma espécie de sentimento.

Paro Robot
Paro Robot

Um exemplo que já foi citado no minha primeira publicação é o fofinho robô chamaro Paro, que tem o corpo de um bebê foca! Ele foi utilizado pelos pesquisadores Shibata e colegas [1]. O foco do estudo foi utilizar esse robô com aparência de um animal fofo para auxiliar as atividades de idosos em um lar para eles. Os autores verificaram que o humor dos idosos, assim como, suas expressões faciais e efeitos psicológicos foram afetados pelo uso do robô. Caro leitor, dê uma olhadinha no vídeo abaixo, reparem como esse robô é cute! Além de uma aparência de bebê, ele parece ser gostoso de abraçar, tem movimentos suaves, emite sons, tem um sistema que fornece respostas emocionais quando recebe carinho e ainda precisa de uma chupeta, sim, uma chupeta!!! Você não ficaria com o coração derretido com esse robozinho?!?

No caso anterior, as emoções que o robô simula são feitos por diversos sensores, dispositivos de som e mecanismos para movimentos. Podemos perceber que essa é uma combinação eficiente para fazer com que temos a percepção que esse robô tem emoções! Vejamos a pesquisa de Rosenthal e colegas que foi um dos primeiros estudos que me deparei no doutorado e que me fez ficar interessado por esta incrivel área. Os autores desenvolveram um estudo para verificar se as pessoas teriam empatia por robôs. No meu ponto de vista, a pessoa só tem empatia por algo, se acredita que esse algo tem algum tipo de sentimento, caso contrário, a pessoa nem ligaria para este objeto. Veja o video a seguir, só aviso que podes ficar com raiva do pesquisador que aparece:

Pelo robot
Pleo Robot

No vídeo anterior os pesquisadores utilizaram um robozinho chamado Pleo, que é um dinossauro (como deves ter percebido) com uma pele de borracha. Esse dinossauro tem a capacidade de andar, movimentar o pescoço e cauda. Além disso, ele emite sons ao receber carinho e quando está com fome. Gostaria de saber, você ficou com peninha do robô sendo espancado e sufocado com uma sacola na cabeça?? Se ficou, é porque foi criado uma empatia com o agente em questão. Repare que, mesmo sabendo que é um objeto sem vida, que é apenas um robô, por causa de sua aparência e sons, a pessoa cria uma empatia e acredita que o dinossauro está sofrendo com aquela maldade. Reforço, acabamos acreditando que um objeto está sentindo dor e sofrendo com a situação! Isso não é interessante?!?!

Caro leitor, os estudos citados neste post utilizaram agentes robóticos com muitos recursos, com sensores, emitem sons, tem movimento, além de ter uma aparência que cria empatia só de olhar. Nos próximos posts dessa série irei mostrar outros agentes robóticos com outras características que conseguiram ativar a percepção de que eles tem sentimento.

Esta postagem foi originalmente divulgada no site https://www.techsocial4survive.com.br/ e está reproduzida aqui com a autorização do autor.

Referências:

[1] Shibata, Takanori, Kazuyoshi Wada, Tomoko Saito, and Kazuo Tanie. “Robotic therapy at an elderly institution using a therapeutic robot.” Annual Review of CyberTherapy and Telemedicine 2 (2004): 125-135.

[2] Rosenthal-von der Pütten, Astrid M., Nicole C. Krämer, Laura Hoffmann, Sabrina Sobieraj, and Sabrina C. Eimler. “An experimental study on emotional reactions towards a robot.” International Journal of Social Robotics 5, no. 1 (2013): 17-34.